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domingo, 17 de novembro de 2013

INCÓGNITA

Que dor no peito,
Que dor na alma,
Que peso neste leito,
Que não consegue a calma.

Ser este ser feio, asqueroso,
Ser além da ilusão.
Coração despedaçado, não saboroso.
Nada, nada do que mil pedaços sem emoção.

Fazer o quê?Nada o que pensar.
Amar, amar a quem?A mim, não dá.
Será que o meu sonhar é real?
O sono vem já.

Soltar a dor do órgão que se chama
vulgarmente de coração,
massa de músculos que se contrai
pulsionando o sangue ao corpo sem dispersão.

O que virá mais tarde?
Um coração que parte.
Parte de partir,
Partir de ir,
Partir de quebrar,
Quebrar o amar,
Amar sem sorte,
Sorte que não quer a morte,
Morte que quer deixar o viver,
Viver que quer deixar-se,
O deixar-se vem na alma.


domingo, 10 de novembro de 2013

Renascer

Menina que brota do chão
Não pode sair de seu habitat.
A água que a alimenta
Sacia-a todos os dias,
Dá vida, dá sossego,
Não se pode desvencilhar disso tudo.
Caem as folhas, as pétalas
E renascem, e caem, e renascem, e caem ...

Novo dia recomeça.
Água volta a molhar a terra,
Dá vida, dá sossego,
Não se pode desvencilhar disso tudo.
Recaem as folhas, as pétalas
E rerenascem, e recaem, e rerenascem, e recaem ...
Outras folhas nascem, outras pétalas nascem.

Um outro dia rerecomeça.
Água revolta a molhar a terra,
Dá vida, dá sossego,
Não se pode desvencilhar disso tudo.
Caem as folhas, as pétalas
E rererenascem, e rerecaem, e rererenascem, e rerecaem ...
Outras folhas nascem e não são iguais as que caíram.
Outras pétalas nascem e não são iguais as que caíram.

Não se pode desvencilhar disso tudo.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Vale dos Elfos Prostitutos

Imagem: mindfulness via photopin cc
Era uma vez um vale de elfos. Sobreviver lá era uma dificuldade, assim como em qualquer vale de qualquer mundo. Muitos deles optavam por tornarem-se prostitutos. Mas não, senhores dos bons costumes humanos, não fiquem esbaforidos, pois lá a prostituição não consistia no ato sexual vendido. A putaria ficava nas mãos da literatura.

Os prostitutos eram aqueles que se vendiam para a literatura sobre seres humanos. Uma fantasia absurda só, isso lá no mundo deles, claro. Seres humanos, tão patéticos, tão idiotas, mas os ídolos da gurizada elfo.

Quem queria ingressar na literatura, o jovem, precisava aceitar a submissão de escrever o que a indústria lhe pungia. Disto Ronaldo sabia disso, odiava estórias de seres humanos, afinal de contas, os elfos são bem mais interessantes, assim pensava. Contudo, acontece que, acima de qualquer vontade, a vontade de publicar um livro era maior.