Valag 31,
Altossol, 1401 CE.
Ano passado, aos treze anos eu
decidi meu futuro. Somente dez anos depois eu comecei a cumpri-lo. Mas não
fosse este dia em especial, jamais teria conseguido em momento algum ter me
tornado um herói aventureiro.
Meu pai era um homem fechado,
demonstrava poucas emoções, exceto por situações bem específicas e seguia a
lógica de deixar seus filhos decidirem o que fariam com suas vidas sem se
intrometer. Já minha mãe, apesar da liberdade que ela nos concedia, gostava de
controlar nossas vidas. Talvez pelo fato dela ser uma estudiosa da mente. Por
isso, mesmo eles sendo um casal de aventureiros que viveram por vários anos em
missões perigosíssimas, minha mãe não incentivava meu desejo de ser herói e
agradecia aos deuses por Mary Anne não ser afetada por ele.
Pelo contrário, minha irmã
gostava da ostentação de seus vestidos, joias, dos tibares de ouro, do glamour
da riqueza e desde pequena sonhava em ser uma dama da alta sociedade
valkariana. Uma tola, em minha opinião.
Apesar do meu desejo, eu também
não fiz muita coisa para dar início ao meu sonho. Não treinei com armas, ainda
que gostasse de ver meu pai praticar com suas duas machadinhas e nem pratiquei
magia, ainda que estudasse a teoria. Minha mãe, já querendo garantir um bom
futuro para mim e para minha irmã, desejou que eu entrasse na Universidade
Imperial em Valkaria.