Mostrando postagens com marcador Aislan Feitosa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aislan Feitosa. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de abril de 2014

TÁ BOM, MAS... E QUANDO NÃO JOGAM BANANAS?

(Por Maicon Vasconcelos da Silva)*



Incrível a hipocrisia da "elite branca"...
Um monte de reaças, que se nutrem e tem seu "ganha pão" justamente por reproduzir os conceitos que alimentam o racismo, o machismo, a xenofobia, a homofobia ficam solidários nas mídias sociais quando um de seus representantes "sofre racismo".
E quando não são bananas que caem ao chão e sim os golpes dos cassetetes da polícia militar no "lombo dos neguim" das favelas? 
E quando o povo negro vê sua cultura, seus costumes ou até mesmo sua religião sendo historicamente segregadas ou marginalizadas, como o uso de plantas medicinais ou até mesmo no caso do Candomblé? E quando a Grande Mídia reproduz uma visão estereotipada do que é "ser negro" e o único referencial que se tem nos meios de comunicação é o Programa Esquenta ou a Globeleza?
E quando a juventude negra e periférica sofrem constantes ataques, não de bananas, mas sim da segregação social/econômica onde muitos deles resultantes em mortes, seja na falta de creches, seja no acesso a educação e saúde de qualidade, sejam nos rolezinhos ou na sensação do momento: amarrar os "neguim" postes? Não vi esses infelizes se manifestarem. Aliás, "como não existe racismo no Brasil", e "todos tem o mesmo direito", não precisamos de políticas inclusivas como as Cotas Raciais, PROUNI, Bolsa Família e etc. não é mesmo? Não é esse o discurso desse povo? 
No Brasil "póóódi", o que não pode é com um jogador brasileiro, que mora na Espanha e ganha MILHÕES de reais por ano, aí é o fim da picada! Aí vira comoção nacional! Não me venham com essa de "‪#‎somostodosmacacos, porque vocês não são! Para simples informação, NÃO SOMOS MACACACOS, somos um povo culto com tradições próprias que foi sequestrado e relegado à condição de escravos, explorados, que também com sua força de trabalho ergueram uma nação a durante séculos temos nossos direitos usurpados por uma "minoria branca racista" a qual vocês fazem parte. 
 Mais uma vez o racismo vira uma ferramenta de autopromoção de uma elite porca, excludente e acima de tudo hipócrita. Como diria Milton Santos, "Enquanto houver classes sociais, existirá racismo", e esses infelizes, entre eles Luciano Huck e Angélica não estão nem aí nem para diminuir estruturalmente as desigualdades sociais nem muito menos acabar com elas!



*O texto não é meu, caros leitores. Achei tão sensacional que pedi Licença ao autor para publicar esse excelente artigo aqui nesse espaço. Segue seu contato no Facebook: https://www.facebook.com/maicon.vasconcelosdasilva?fref=nf


domingo, 9 de março de 2014

MAS TOME CUIDADO COM O CABO DA VASSOURA, É PIOR DO QUE CENOURA, VOCÊ PODE SE DAR MAL.

Acho muito divertida essa rivalidade criada entre as duas principais metrópoles de país. A disputa entre paulistas e cariocas já faz parte da cultura nacional e até proporciona um charme entre os dois estados (Sim, eu sei que o correto seria escrever paulistanos e cariocas, ou no caso de expandir a rivalidade a nível estadual, paulistas e fluminenses. Mas a cultura popular batizou a rixa RioXSP dessa forma). Seja no campo do futebol, das artes da política, sempre paulistas e cariocas tentam se vangloriar dos seus feitos e consequentemente diminuir os do rival. Mas não tenho dúvida que tudo isso não passa de uma saudável brincadeira e todo mundo concorda na importância das duas cidades para o país e até para a America do Sul.

E hoje, tive que me render aos amigos cariocas que vivem tirando sarro comigo, um paulistano nascido e criado nessa cidade: O embrião da revolução será gerado no Rio de Janeiro. O que vimos na capital fluminense essa semana foi lindo. A mobilização e vitória dos garis é algo que merece destaque no histórico das lutas recentes da classe trabalhadora. A capacidade de organização de uma profissão desprezada pela sociedade realmente impressionou. Quem acompanhou o desenrolar da greve de longe como eu, pode observar uma categoria muito bem estruturada, com objetivos claros e acima de tudo, coragem para enfrentar os mais poderosos grupos. Como acreditar na vitória de uma classe trabalhadora, formada em sua imensa maioria por negros, favelados e com baixo grau de instrução? Pois a vitória veio e de maneira retumbante. Os 37% de aumento é uma conquista para inflar de orgulho todos os garis. Não apenas pelo valor real que isso representa no bolso, mas pelo simbolismo. Não me recordo de ter visto, ao menos recentemente, outra categoria ter conseguido um aumento tão significativo ao final de uma greve. Todos os envolvidos estão de parabéns, mas não só eles.

O prefeito Eduardo Paes, certamente não gostou nada de ter cedido nessa queda de braço. E nem estou questionando a administração Paes, ou a lisura do prefeito. Talvez ele pessoalmente até gostasse de oferecer o reajuste salarial, mas é claro, 37% é um valor significativo nos cofres do município (Estimado em R$ 400 milhões por ano). Certamente, Paes não concedeu o aumento por caridade. O aumento somente saiu devido o apoio da população ao movimento grevista. A tentativa da imprensa em jogar os trabalhadores contra a sociedade, mostrando a Cidade Maravilhosa imunda, não deu certo. O a prefeitura pressionada não teve outra saída a não ser atender a reivindicação trabalhista. Fosse aqui em São Paulo, certamente a população estaria indignada com “esses vagabundos que em vez de trabalhar ficam ai fazendo baderna”. Uma matéria do SPTV mostraria a cidade suja com lixo espalhado pelas ruas. E a noite no Jornal do SBT, veríamos uma Rachel Sheherazade indignada com os desmandos de um país que tolera que garis de organizem, e em nome da ordem e do progresso exigindo que o Estado, através de seu aparelho repressivo, de fim a esse caos (Em termos coloquiais, descesse a borracha nos grevistas). E nos sofás das salas, as famílias paulistanas aplaudiriam e endossariam nas redes sociais o coro. Quem esses lixeiros pensam que são para perturbar a paz e a ordem pública?



Quem não se lembra de Boris Casoy, um dos ícones da direita brasileira, em uma falha técnica da TV Bandeirantes, humilhando ao vivo dois garis que desejavam um feliz ano-novo aos telespectadores do Jornal da Band, no último dia de 2009? “Que merda, dois lixeiros desejando felicidades. Do alto de suas vassouras. Dois lixeiros! O mais baixo da escala do trabalho”. Para quem não sabe, não lembra ou tenta esquecer, Casoy foi um dos membros do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), um aparelho informal do regime militar que como o nome sugere, era pago pela ditadura para matar simpatizantes do comunismo. O desdém com que Boris Casoy foi flagrado nessa situação é o mesmo das elites para com a classe trabalhadora. A vitória dos garis cariocas é uma vitoria de todo o proletariado. É a prova que a poder está nas mãos dos trabalhadores, que sim, somos fortes.


Sinceramente fiquei curioso em ver a cara, depois de consolidado o reajuste salarial, daqueles garis que não aderiram à paralisação. Daqueles que protagonizaram aquela cena patética de pedir escolta policial para trabalhar. Esses mesmos que tentaram por tudo a perder. Pois é, eles também terão o reajuste. Mas imagine o momento de abrir o contracheque, e olhar aquele aumento salarial. Lembrar que foi uma conquista que ele não participou, alias, fez o possível para atrapalhar. Ou ainda, chegar em casa e encarar o filho gritando: Parabéns pai, eu vi na televisão. Vocês conseguiram! Os amigos no boteco, batendo no ombro dizendo: Cara, que vitória hein? E no intimo saber que os cumprimentos são indevidos, que a vitória foi daqueles que por covardia, não apoiei. E tentar o possível para meu filho e meus amigos não descubram que sou um pelego. Esses ai bem que podiam devolver o aumento. Reconhecer não ser merecedor dele. Não... a lei não permite isso. Então, doar, enterrar ou atear fogo na diferença. Assim tentar esquecer essa vergonha. Se bem que não precisa. Encarar os colegas de trabalho na segunda feira já é punição suficiente. 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

PELA FAMÍLIA BRASILEIRA, CONTRA OS PEPINOS E O BBB!

Vou iniciar amanha uma campanha, e conto com o apoio dos cidadãos de bom gosto desse país. Comecei minha saga contra a produção de pepinos. Como alguém com o mínimo de cérebro pode gostar dessa porcaria? Um legume horrível, que nada acrescenta ao paladar da família brasileira. Não podemos deixar meus amigos, que o mau gosto invada nossas cozinhas. Por um Brasil livre de pepinos. Acorda meu povo! Como cheguei à conclusão que pepino é tão ruim assim? Ora, mas que obviedade! Eu detesto pepinos! E se eu, no alto do meu bom gosto, eu não gosto, é porque não presta. Ponto final. E todos os simpatizantes desse legume são apedeutas que devem ser veemente combatidos.



Acredito que muitos que se prestaram a ler o parágrafo anterior se perguntaram como pude escrever algo tão idiota. O fato de eu não gostar de um legume necessariamente significa que ele é ruim? Muito bem, releiam então o parágrafo trocando ‘pepino’ por ‘Big Brother Brasil’. Assim o texto ganha uma cara intelectual, merecedor de muitas curtidas e compartilhamentos. Simplesmente pelo fato de criticar um programa que no meu julgamento é ruim. Como o pepino.

Realmente detesto pepinos e BBB. Isso não torna nenhum dos dois ruins. Apenas são coisas que eu, no meu julgamento, não considero boas. Prefiro uma salada de tomates á pepinos. Prefiro outro tipo de entretenimento que BBB. Apenas isso. O mesmo vale para o funk carioca. Não me agrada (Nem um pouco) esse estilo musical. Então o que faço? Não ouço funk, não tenho funk no meu pen drive, não frequento lugares que toca funk. O que não me torna pior, ou melhor, do que quem gosta. “Ah, mas e aqueles filhos da puta que ouvem funk no carro as 03:00 da manhã no último volume?” Isso nada tem a ver com o estilo musical, e sim com educação.

Existe o meu gosto e o mau gosto. Por mau gosto defini-se tudo que EU não gosto. E ai, podemos estender o leque para cores, times de futebol, religiões... Notem ai outro paradoxo: Uma das principais criticas ao BBB é que é um entretenimento inútil, que nada acrescenta a cultura das pessoas. E o que acrescenta a cultura o futebol? E a novela? E os seriados estadunidenses? E o programa policial? O problema não está em assistir o BBB, o problema está em assistir somente o BBB. Como todos os outros tipos de programa citados. A coisa é que o BBB é da Globo. E virou um certo senso comum atacar a Globo.

“O que? Você agora defende a Globo?” Evidente que não! Que as Organizações Globo detém praticamente o monopólio da comunicação brasileira é uma realidade inquestionável. O poder de penetração da Globo em quase 100% do território nacional a torna um quarto poder na República e a sua capacidade de manipular a opinião pública atendendo aos interesses das nefastas oligarquias que mandam e desmandam nesses pais desde 1889 pode ser constatado no documentário “Muito Além do Cidadão Kane”, produzido pela rede BBC em 1993.

Agora, também é uma realidade que já virou modinha atacar a Globo. Meses atrás, fizeram um baita estardalhaço em cima de uma falha da abertura do Jornal Nacional. Uma falha grotesca, claro. Porém, muito menos grave do que um certo âncora da Bandeirantes, famoso por entregar colegas jornalistas ao CCC (Comando de Caça aos Comunistas) na época do regime militar, que fora flagrado fora do ar ridicularizando os cumprimentos de Natal de um homem pelo fato de ser um gari: “Que merda; um gari desejando feliz ano-novo. Um gari!” E não houve tanta repercussão assim. Todo ano, em janeiro é a mesma coisa: o Big Brother Brasil vira o alvo das tijoladas. A mim, em nada incomoda o BBB sabem por quê? Porque eu não assisto! No máximo as quartas feiras, antes de começar o futebol, vejo o finalzinho do programa. E sinceramente, não vejo esse terror todo no programa. È um programa fútil, como existem dezenas de outros na televisão. Não acho que alguém será mais ou menos inteligente por assistir o citado reality show. Eu por exemplo, sou apaixonado pelo já citado futebol. Um entretenimento tão alienante quanto.  


Isso não muda em nada o que penso da Rede Globo. A maior e mais poderosa arma das grandes oligarquias. Tudo que é bom para a Globo é ruim para o Brasil, não tenho dúvidas. Mas reparem que 90% dos que bradam criticas contra a Globo repetem exatamente o discurso pregado por eles. É dessa hipocrisia que me refiro. O sujeito vem publicamente achincalhar a Rede dos Marinhos e defende o mesmo lado da emissora, as mesmas ideias, os mesmos princípios. Assistir ou não o BBB é inócuo. O problema mesmo está em assistir o Jornal Nacional. Esse sim é muito mais perigoso.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

AQUELE NATAL DE 1987 OU 1988

Dezembro continua sendo meu mês favorito. Principalmente pelas festas. E o Natal? Não é uma festa religiosa? Sim, mas seria muita falta de noção deixar de curtir todo o clima por uma simples birra contra o cristianismo. O Natal é uma festa que faz parte da cultura ocidental, inclusive, a comemoração do nascimento de Jesus Cristo em 25 de dezembro tem um sentido muito mais político do que histórico. O 25 de dezembro somente foi instituído como o Natal cristão por volta do século V, depois da formação da igreja católica. A data aliás, está ligada a estratégia expansionista do Império Romano. Os romanos tinham por característica agregar a cultura dos povos conquistados a sua cultura, como forma de evitar maiores resistências. Os povos pagãos no Norte da Europa celebravam o solstício de inverno com festejos e assim, a data acabou sendo incorporada no calendário cristão.

Mas isso pouco importa nos dias atuais. Nessa data, minha família está reunida, meus amigos também e para mim isso é o que vale; consigo estar junto das pessoas que amo. Pego carona no clima como outras muitas pessoas não cristãs que enxergam a data como parte da cultura que estão inseridas. Entretanto, uma das melhores recordações de tenho do Natal vem de muitos anos atrás. Estava lembrando-me dia desses, acho que graças ao Natal que virei comunista! Paradoxal, não? Meu pai sempre foi metalúrgico e envolvido no movimento sindical. Durante minha juventude, fiz parte de movimentos sociais e até dentro da estrutura da Igreja Católica, estive próximo da Teologia da Libertação. Contudo, se eu tivesse que escolher um momento para definir como inicio da minha militância seria no Natal de 1987 ou 1988 (não me lembro ao certo).




Estava eu com minha mãe em uma noite de 24 de dezembro fazendo nossas compras de Natal. Acredito que era por volta de 20:30, 21:00, pois minha mãe estava apressada para voltar para casa. Estávamos na antiga Lojas Glórias, da Vila Formosa, bairro da Zona Leste paulistana. Minha mãe chamou um taxi e estava colocando as sacolas no carro enquanto eu me regojizava com meus brinquedos ainda nas caixas. Quando entramos no carro, olhei e vi alguns garotos de rua maltrapilhos, brincando na calçada. Então no ápice da minha inocência perguntei para minha mãe, porque eles não estavam trocados para o Natal. O diálogo seguiu mais ou menos assim:

- Mãe, por que esses meninos não se trocam para o Natal?
- Porque eles não têm dinheiro para comprar roupas.
- E o pai deles? Por que não compram?
- O pai deles também não tem dinheiro.
- E quem compra o brinquedo deles?
- Eles não têm brinquedos. Lembra que nós separamos alguns brinquedos seus? Então, é para dar para essas crianças que não tem.

Foi aí no alto dos meus sete ou oito anos que percebi que havia algo muito errado nesse mundo. Conversei hoje mesmo com minha mãe sobre esse fato. E ela se lembra vagamente do episodio. Mas para mim, jamais saiu da mente. E o resto vocês já sabem. Muito pouco mudou desses 25 anos para cá. Mas fico feliz em perceber que não perdi minha capacidade de indignar-me. Quando crianças, percebemos coisas que quando adultos acabamos por nos acostumar. Li em um livro uma vez que as crianças têm muito em comum com os filósofos, pois “A única coisa que precisamos para nos tornarmos bons filósofos é a capacidade de nos admirarmos com as coisas.” Feliz Natal amigos cristãos, Feliz Solstício de Inverno aos povos pagãos do Hemisfério Norte, Feliz Solstício de Verão aos povos do Hemisfério Sul e Feliz Festa de fim de ano a todos que quiserem (E puderem) comemorar. E que a chama de criança permaneça sempre acesa em vossos corações. 

domingo, 3 de novembro de 2013

SÁDICAS PROVOCAÇÕES

Não consigo compreender, minha cara
Ao rever seu sorriso,
Foi-me razão de certa melancolia
Me trouxe pensamentos precisos
Envolvidos por nostalgia

Que o tempo sadicamente dissolveu
Sagazmente com um leve negro humor
O mais singelo gesto padeceu
Até o mais grandioso amor

E de todas as pessoas que passam por nossas vidas
E de todas as milhares de pessoas que passaram por nossas vidas
E de todas as milhões de pessoas que passaram por nossas vidas
E das poucas pessoas que ficaram em nossas vidas
E das pouquíssimas pessoas que ficaram em nossas vidas
E de nenhuma pessoa que ficou na minha vida

sábado, 19 de outubro de 2013

FRAN, FRAN, FRAN, FRAN!

Bom, vamos lá. Também quero dar minha opinião sobre a mais nova ‘polêmica’ (?) da internet: o tal vídeo da garota que ficou conhecida como ‘Fran de Goiânia’. Aos que não estão por dentro do assunto, trata-se de um vídeo de 13 segundos onde a garota aparece fazendo sexo oral em um rapaz e dizendo palavras picantes ao parceiro. O vídeo Foi gravado e compartilhado pelo WhatsApp, em poucos dias tornou-se um viral, assistido por milhões de pessoas. As consequências já podem ser imaginadas. A moça saiu da faculdade, está afastada do seu trabalho e vem sofrendo todo o tipo de perseguição possível.

Convenhamos que esse tipo de situação, infelizmente não é rara. Vemos diariamente esse tipo de vídeo/foto ser compartilhado seja por e-mail ou por redes sociais. Esse caso pontualmente me chamou atenção pela repercussão e principalmente os comentários. Deixe-me ver se entendi: Um jovem de 19 anos está sendo massacrada por fazer sexo, é isso mesmo? “Ah, não pelo sexo em si, mas pela filmagem”. Muito bem, nem vou entrar na questão da falta de caráter do sujeito que divulga um momento intimo na internet. Isso ai já é com a justiça; tem que ser muito imbecil para achar legal essa exposição pública. Mas enfim. O cerne da questão é outro. Os moralistas defensores do moral e dos bons costumes que estão linchando Fran!



Sinceramente tenho muita dificuldade de compreender isso. E não estou sendo sarcástico; eu realmente não entendo. A não ser que você tenha nascido do Espírito Santo, ou tenha sido o resultado de alguma experiência genética, sinto te informar meu caro puritano você foi gerado através de uma relação sexual. Calma, calma, sente-se, pegue um copo com água. O que eu tenho para te dizer vai chocá-lo profundamente... é isso mesmo que você está pensando: Sua mãe não é virgem, e muito provavelmente durante o ato que possibilitou sua vinda a esse mundo ela esteve em uma situação muito semelhante a da Fran. O mesmo vale para sua irmã, sua filha, e sua esposa, caso ela tenha tido outros namorados antes de você. Fran apenas teve o infortúnio de ter um pateta covarde em seu caminho que achou legal divulgar isso. Vejam: o único irresponsável da história é quem quis tornar algo pessoal em público. E sinceramente li pouquíssimas notas de repúdio a atitude do cidadão.

Sorte de Fran morar em um país supostamente laico. Senão uma hora dessas já estaria enterrada até a cintura em um fosso aguardando o apedrejamento. Embora ela já esteja sendo apedrejada moralmente. “E se fosse sua filha ou sua irmã”? Já respondi isso no parágrafo anterior mas vamos lá: Eu teria muita vergonha se fosse minha filha, minha irmã, estacionando na vaga de deficientes físicos no Shopping, subornando um policial para não tomar multa, ateando fogo em moradores de rua, participando de alguma rede de pedofilia, se aproveitando da boa fé das pessoas para ganhar dinheiro... agora por fazer sexo? Não sou tão tolo. O vídeo para mim teria o mesmo efeito, por exemplo ela fosse filmada no vaso sanitário defecando. Uma coisa constrangedora de se tornar publico, por se tratar de uma intimidade, todavia, completamente natural.

Já escrevi outras vezes, por outras razões, sobre meu temor dessa ascensão conservadora que vai ganhando cada vez mais corpo dentro da nossa sociedade. Faz tempo que não se vê uma onda tão reacionária contaminando as pessoas. Esse caso Fran só vem reforçar essa minha opinião. Somos um povo, machista, reacionário, preconceituoso. E sobretudo hipócrita. Um camarada divulga esse tipo de vídeo, por que tem a certeza que nada irá acontecer, pois terá o apoio popular, afinal ‘ele é homem’. Mas enfim, essa moça irá sofrer ainda por algum tempo com toda a ira ‘das pessoas de bem’. Até outra Fran aparecer na internet. E novamente ser condenada a fogueira pelo tribunal da Santa Inquisição. Bem vinda Idade-Média!

sábado, 13 de julho de 2013

PELOS PODERES DA TOGA

Não costumo discutir assuntos que não tenho algum domínio. E o direito é um desses assuntos, por isso quero apenas externar minha opinião de leigo e saber a posição dos amigos além de claro, caso haja um especialista no assunto, expor um parecer técnico.

Venho acompanhando atentamente o desenrolar da discussão sobre a distribuição dos royalties do petróleo e o pé de guerra entre os estados produtores (Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo) e os demais estados da federação. Depois de longa batalha, o Senado alterou a lei de divisão desses recursos, beneficiando assim os estados não produtores. Os três estados separadamente entraram com recurso no STF alegando a inconstitucionalidade na decisão.