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Sara nunca se esquecera daquela manhã; ela, seu irmão gêmeo e sua melhor
amiga estavam, como de costume, brincando na densa vegetação que envolvia a
cidade de Vila Esperança. Correr, colocar a mão em frente aos olhos diante dos
feixes de luz que repentinamente apareciam entre as folhagens, aqueles foram
tempos realmente felizes, porém, algo diferente aconteceu em um desses dias.
Naquele dia eles
decidiram entrar mais fundo na floresta, e lá, bem lá no fundo, as três
crianças encontraram algo que as fez estremecer; era uma mansão, ou melhor,
eram os restos do que um dia foi uma mansão. Sara continuou a seguir em frente,
os outros permaneceram imóveis, temendo continuar. Sara lentamente se dirige as
grandes portas de madeira, e com um toque as portas se abrem, liberando uma
leve névoa de poeira.
Sara vislumbrou o que
um dia foi um grande salão, era um lugar enorme, com um grande lustre pendurado
ameaçando cair, alguns cacos de vidro estavam espalhados pelo chão, todos
estavam sujos com manchas de um vermelho extremamente escuro. Ela seguiu
adiante, caminhando lentamente e olhando com atenção àquelas ruínas, tentando
imaginar as grandes festas que provavelmente foram feitas naquele lugar.
Eis que de repente
seus olhos são tomados por algo que a faz sentir uma mistura de medo e
admiração era um quadro, um quadro antigo e empoeirado. Era um retrato, a
imagem de uma família, pareciam felizes mas o fato que realmente intrigou Sara
foi a semelhança entre as garotas da pintura, eram extremamente parecidas,
ambas compartilhavam uma beleza estonteante; a criança teve certeza que eram
gêmeas. De repente Sara pode ouvir uma singela canção, a voz daquela que
cantava tal canção era realmente bela.
Ela olha em direção
ao local que a musica ecoava, Sara podia jurar que havia visto alguém passando
pelo alto da escada. Ela continuava a ouvir aquela canção e por fim decidiu
segui-la, a garotinha subiu as escadas rapidamente em busca daquela bela voz, e
o som a levou até um quarto no fim do corredor. Ao abrir a porta do lugar a luz
do sol acabou ofuscando sua visão, quando seus olhos se acostumaram com a
luminosidade, eis que ela pode vislumbrar uma jovem mulher, de olhos
esverdeados e longos cabelos loiros, em meio a luz, era uma das moças do
quadro.
Era a dona daquela
voz, aquela voz que tanto a encantara, a moça se voltou para Sara e deu um
sorriso. Ela se aproximou e toca o rosto da criança, Sara estremeceu, o toque
daquela moça era extremamente gelado. Sara parecia estar hipnotizada pela
beleza da garota, quando de repente ela pode ouvir a voz de seu irmão e sua
amiga, eles gritavam por Sara. Sara correu para encontrar seus companheiros,
mas antes de passar pela porta, ela se voltou para a moça e se despediu com um
aceno, ela retribuiu com um belo sorriso.
Aquele momento foi
realmente mágico e especial, e com o tempo acabara se misturando aos sonhos de
Sara, sendo até mesmo esquecido, mal sabia ela que um dia retornaria àquele
lugar, mas os momentos não seriam de felicidade e encanto, seriam de dor e sofrimento;
no dia em que Sara retornaria a mansão, ela estaria morta.
Nove anos depois, uma tarde
chuvosa, os alunos se abrigavam na saída da escola, porem ninguém ousara se
mover para fora do lugar. Aquela chuva era realmente estranha, não havia
previsão de sua chegada, além da época do ano não ser propicia as
precipitações. Aquele dia era o dia em que fizera exatamente três meses que
Sara estava desaparecida. Alguns acreditavam que ela havia morrido, outros
acreditavam que ela ainda estava viva, entre estes que acreditavam estava um
rapaz de cabelos negros e olhos azuis, seu nome era Samuel, o irmão gêmeo da
garota.
Ao lado de Samuel, uma garota de cabelos
castanhos e olhos da mesma cor se encontrava, seu nome era Carol, melhor amiga
de Sara e atual namorada de Samuel. A cerca de quatro metros de distância
encontrava-se outro rapaz, alto e com cabelos loiros, olhos esverdeados,
rodeado por outros rapazes, ele se chamava Marcos, era o namorado de Sara.
Eles, mais do que ninguém, sabiam que exatamente os meses, os dias, as hora e
até mesmo os minutos que Sara estava desaparecida. Quem poderia imaginar que a cansativa
contagem teria um fim?
Gritos, pessoas começam
a olhar para a direção que a garota desesperada aponta, em meio à chuva eis que
se podia ver a silhueta de alguém. Uma garota de longos cabelos negros, pele
branca, e se olhasse com certa atenção, podia-se notar o brilho dos
encantadores olhos azuis. Sim, era Sara. Samuel empurrou aqueles que estavam na
sua frente, lançou sua mochila para trás e correu em direção à garota.
- Sara?! – ele começou
a chorar e abriu seus braços. – SARA! – ele gritou e abraçou a irmã.
Eis que o momento feliz
deu lugar ao desespero, Samuel notou que o corpo de Sara estava extremamente
gelado, ela tremia muito. Samuel olhou para a irmã e notou que as roupas da
garota estavam cobertas de sangue e sujeira.
- Sara? – Samuel olhou
nos olhos da irmã e notou que eles não apresentavam a vivacidade que encantava
a todos, seus olhos pareciam vazios, sem nenhum resquício de vida.
De repente o corpo de
Sara perde as forças e cai em direção a Samuel, ele segura a irmã antes que ela
se choque contra o chão.
- Chamem uma
ambulância! Rápido! – o rapaz gritou desesperado.
A ambulância chegou
rapidamente, Samuel entrou no veiculo com a irmã e não soltou a mão da garota
até que ela fosse levada para uma sala onde o rapaz foi impedido de entrar.
Agora a única coisa que ele poderia fazer era esperar por noticias. Ele andou
de um lado para o outro, sentou no banco, no chão, poucos minutos pareciam uma
eternidade, quando finalmente o médico chegou.
- Ela está bem. – o
médico da a noticia que faz um sorriso se abrir no rosto de Samuel. – Mas a
algo que você precisa saber...
Algo que precisa
saber... porque tais palavras assustavam tanto o rapaz? Porque o médico trazia
uma expressão tristonha no rosto? Samuel não entendia aquilo, e o mistério o
fazia entrar em desespero.
- Sua irmã
apresenta certos traumas, provavelmente os momentos que se passaram foram
extremamente perturbadores... ela não consegue mais falar.

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