terça-feira, 19 de novembro de 2013

Espelho_8


      Samuel abre a porta de sua casa, ele nota que está vazia. Um bilhete estava na geladeira, era de Sara, ele dizia que ela estava com Marcos, seu namorado. Samuel sobe as escadas, sua mente não lhe dava sossego, as imagens do corpo de Lucas continuavam em sua mente.
    Ao passar de frete a porta do quarto de Sara, Samuel nota que ela está aberta. Cuidadosamente ele entra no lugar e vê que o armário da garota está aberto. Aquele armário, o lugar secreto de Sara, o lugar onde ela se escondia, seu mundo particular desde sua infância. O armário tinha um fundo falso, Sara e Samuel costumavam passar noites ali dentro, conversando e brincando.
     A nostalgia toma conta do rapaz e ele vai até o lugar, entra no armário e abre o compartimento, quando ele olha para dentro acaba ficando surpreso. O espaço estava cheio de desenhos colados, desenhos de um realismo assustadoramente belo, porém Sara nunca possuíra o talento para este tipo de arte.
    Ele se arrasta para dentro do lugar e nota que os desenhos representavam um casarão, um casarão antigo. Em alguns desenhos ele estava em perfeito estado, porém em outros ele estava pegando fogo. Em meio aos desenhos colados por toda parte um deles acaba chamando a atenção de Samuel, o desenho de duas garotas idênticas, gêmeas com toda certeza, eram belas e pareciam felizes. Ele se aproximou e retirou o desenho da parede a fim de visualizá-lo melhor, quando o medo toma conta do seu ser.
        O belo desenho das garotas estava colado sobre outro desenho, onde duas garotas com rostos deformados e com rachaduras na pele se encontravam exprimindo dor e sofrimento; por algum motivo aquele desenho trazia uma sensação absurdamente terrível em Samuel, como se algo estivesse pressionando o seu coração, como se faltasse oxigênio. Ele sai do compartimento levando o desenho das gêmeas.
      Depois de parar por alguns minutos e respirar fundo, Samuel nota que tinha pego o desenho, ele o analisa mais uma vez e nota que ao fundo das duas garotas havia o mesmo casarão. Aquele casarão era de certa forma familiar, quando de repente o rapaz se lembra que conhecia o lugar.
        Samuel corre em direção ao lugar, quando ele chega e compara o que vê com o desenho ele tem certeza que está certo. Sim, aquele casarão velho, aquele lugar que metera medo em qualquer um que se aproximasse dele, o lugar onde o massacre da família Alencar ocorreu.   

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