Samuel chega
em sua casa e vai direto para o quarto. Ele se deita na cama e fecha seus
olhos. O vidro do carro se quebrou antes de entrar em contato com a árvore, e
um dos cacos foi em direção à garganta de Carlos. Porque sua mente continuava a
ligar tal fato a Sara?
O cansaço acabou fazendo com que Samuel
adormeça, porém, quando a madrugada chega, eis que o rapaz desperta, ouvindo o
barulho de algo batendo. Ele corre em direção ao quarto da sua irmã e vê que as
janelas estão abertas. Ele se aproxima das janelas que continuam a bater com o
vento, fechando-as; de repente, ele pode ouvir algo atrás dele.
Samuel se vira rapidamente e se depara com
Sara. Ela estava coberta de sangue. A garota ficava ali, parada, olhando em
direção à janela, parecia não estar notando que Samuel estava na sua frente. O
rapaz se aproxima, suas pernas não param de tremer, mas o medo de que Sara
tivesse se ferido era muito maior.
-
Sara? – ele se aproxima lentamente. Samuel continua se aproximando, mas ela não
respondia. O desespero tomou conta do corpo do rapaz e ecoou com um grito. –
Sara!
Como em um piscar de olhos Sara agarra o
braço de Samuel, vai para detrás do rapaz e torce seu membro, a dor que ele
sente faz com que ele se cale. Sara se aproxima do ouvido do rapaz e sussurra:
- Silêncio irmãozinho... assim você vai
acabar acordando o papai e a mamãe.
Samuel anda em direção ao colégio, ele
não conseguira dormir depois do ocorrido na noite passada, Sara cheia de
sangue, a reação dela, a dor em seu braço que continuava a incomodar. Quando
chega à escola nota que todos os alunos estavam do lado de fora.
- Carol, o que está acontecendo? – ele da
um beijo na namorada.
- Outra morte Samuel, desta vez foi o
Lucas. – Carol abaixa a cabeça, em sinal de tristeza. – O corpo dele foi
encontrado no banheiro masculino perto da nossa sala.
Outra morte, porque sua mente estava
ligando tal fato a Sara? Porque ele insistia nestes pensamentos. Quando Samuel
deu por si, já estava correndo em direção ao colégio, desviando de seus
professores e de policiais e entrando no banheiro masculino.
O corpo do rapaz estava no chão, os
espelhos estavam todos quebrados, e seus pedaços estavam fincados em todo o
corpo de Lucas, o sangue escuro estava por toda a parte, tingindo o chão de
vermelho. Samuel cai de joelhos e coloca as mãos sobre a cabeça, fechando seus
olhos. Por quê? Ele se perguntava. Porque sua mente insistia a ligar Sara as
recentes mortes?

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