domingo, 17 de novembro de 2013

Espelho_7


       Samuel chega em sua casa e vai direto para o quarto. Ele se deita na cama e fecha seus olhos. O vidro do carro se quebrou antes de entrar em contato com a árvore, e um dos cacos foi em direção à garganta de Carlos. Porque sua mente continuava a ligar tal fato a Sara?
      O cansaço acabou fazendo com que Samuel adormeça, porém, quando a madrugada chega, eis que o rapaz desperta, ouvindo o barulho de algo batendo. Ele corre em direção ao quarto da sua irmã e vê que as janelas estão abertas. Ele se aproxima das janelas que continuam a bater com o vento, fechando-as; de repente, ele pode ouvir algo atrás dele.
     Samuel se vira rapidamente e se depara com Sara. Ela estava coberta de sangue. A garota ficava ali, parada, olhando em direção à janela, parecia não estar notando que Samuel estava na sua frente. O rapaz se aproxima, suas pernas não param de tremer, mas o medo de que Sara tivesse se ferido era muito maior.
     - Sara? – ele se aproxima lentamente. Samuel continua se aproximando, mas ela não respondia. O desespero tomou conta do corpo do rapaz e ecoou com um grito. – Sara!
    Como em um piscar de olhos Sara agarra o braço de Samuel, vai para detrás do rapaz e torce seu membro, a dor que ele sente faz com que ele se cale. Sara se aproxima do ouvido do rapaz e sussurra:
    - Silêncio irmãozinho... assim você vai acabar acordando o papai e a mamãe.
       Samuel anda em direção ao colégio, ele não conseguira dormir depois do ocorrido na noite passada, Sara cheia de sangue, a reação dela, a dor em seu braço que continuava a incomodar. Quando chega à escola nota que todos os alunos estavam do lado de fora.
      - Carol, o que está acontecendo? – ele da um beijo na namorada.
     - Outra morte Samuel, desta vez foi o Lucas. – Carol abaixa a cabeça, em sinal de tristeza. – O corpo dele foi encontrado no banheiro masculino perto da nossa sala.
    Outra morte, porque sua mente estava ligando tal fato a Sara? Porque ele insistia nestes pensamentos. Quando Samuel deu por si, já estava correndo em direção ao colégio, desviando de seus professores e de policiais e entrando no banheiro masculino.
    O corpo do rapaz estava no chão, os espelhos estavam todos quebrados, e seus pedaços estavam fincados em todo o corpo de Lucas, o sangue escuro estava por toda a parte, tingindo o chão de vermelho. Samuel cai de joelhos e coloca as mãos sobre a cabeça, fechando seus olhos. Por quê? Ele se perguntava. Porque sua mente insistia a ligar Sara as recentes mortes?
         

      

Nenhum comentário:

Postar um comentário