domingo, 10 de novembro de 2013

Espelho_2



2


     Sara estava sentada na cama, olhando para o nada. Samuel se aproximou da irmã lentamente. Ela notou a presença do irmão e o abraçou; por mais que ela se esforçasse para dizer algo, nada além de gemidos saia de sua garganta. Samuel se segurou, ele não poderia chorar mesmo que aquilo o assustasse tanto, ele precisava se manter forte, ele deveria dar apoio a Sara.
      Mais tarde os pais da garota chegaram, momentos de felicidade emundaram o quarto do hospital, reencontrar a filha depois de tantos meses era realmente algo incrível. O médico pede para que a família deixe Sara descansar. No corredor o médico fala para a família que gostaria de manter Sara internada a fim de se certificar que não há mais problemas. A família concorda. Samuel pede para seus pais e para o médico para que ele passasse a noite com sua irmã, eles concordam.
      Samuel se sentou do lado de Sara, ele ficou olhando-a enquanto ela dormia tranquilamente. A imagem de sua irmã dormindo tranquila e em segurança o alegrou; ele acariciou os cabelos da irmã e sorriu, ficando ali, admirando-a durante horas. Finalmente o sono chegou, Samuel se dirigiu ao sofá que ficava no canto do quarto. O rapaz deitou no sofá e seus olhos começaram a ficar pesados, eis que de repente algo o faz acordar novamente, Samuel poderia jurar que alguém estava ali, do lado de sua irmã.
        Samuel esfregou seus olhos e olhou novamente, não havia nada ali, ele se deitou novamente e continuou olhando para o lugar onde ele tinha certeza de que tinha visto alguém, quando finalmente pegou no sono. Um barulho, a porta do quarto se abre, Samuel se levanta assustado e nota que já era dia. Ele olha na direção da porta e nota quem estava ali era Marcos.
        - Bom dia. – Marcos fala cumprimentando Samuel. – É realmente incrível ela ter reaparecido, não é?
       - Sim, realmente. – Samuel sorri, cumprimentando-o.
       Marcos se aproxima de Sara e a acaricia, rapidamente Sara abre seus olhos, da um grunhido e pega o braço de marcos, encarando-o com fúria. Como em um piscar de olhos Sara cai em desespero e começa a gritar histericamente, as janelas e as lâmpadas do quarto começam a tremer, e todas se quebram, fazendo com que seus estilhaços se espalhem pelo chão.
      - Saia daqui! Rápido! – Samuel grita para Marcos. – Chame uma enfermeira!
      - Me ajude! Me ajude! – Sara começou a gritar. – Por favor! Por favor, alguém me ajude! – Sara respira fundo fazendo um grunhido e cai na cama, inconsciente.
       - O que está acontecendo aqui!? – a enfermeira falou ao entrar no quarto e ver toda aquela bagunça.
      Sara foi levada a outro quarto, a cena do desespero da irmã e dos vidros se quebrando se repetia a todo momento na mente de Samuel, como aquilo poderia ocorrer? Como tudo aquilo era possível? Ele seguiu em direção ao banheiro, abriu a torneira, deixou que uma quantidade de água se juntasse em sua mão e lançou o liquido frio no rosto a fim de relaxar um pouco. Tudo o que acabara de ocorrer deveria ter algum tipo de explicação plausível, vidros não estouram do nada.
      “Me ajude...”
       Samuel ouviu alguém sussurrando. Ele ergue a cabeça e vê uma garota de longos cabelos loiros e olhos esverdeados, ela estava magra e pálida, exprimindo sons assustadores. O espelho refletia a imagem da moça, ela estava atrás do rapaz, ao se virar para encara-la Samuel nota que não há ninguém no banheiro além dele.
       Ele se dirige de volta, rumo ao novo quarto onde Sara estaria descansando, quando vê algo que o faz ficar paralisado; Sara ao lado de Marcos, sorrindo, como se nada tivesse acontecido. Nas mãos do rapaz encontrava-se uma câmera filmadora, câmera esta que Samuel conhecia muito bem. Filmar era o hobby de Sara, ela adorava fazer seus vídeos; Samuel percebeu o que Marcos estava tentando fazer ao mostrar alguns dos vídeos que a garota fez.
       Samuel sorri, Marcos nota sua presença, movimentando lentamente a boca Samuel pergunta a Marcos, sem emitir nenhum som, se ele poderia ficar com Sara por algumas horas até ele ir para casa e tomar um banho; Marcos pareceu entender a mensagem e acenou com a cabeça dizendo sim. Samuel seguia em direção à saída quando alguém segurou o seu braço.
       - Já está indo embora? Logo agora que eu vim ver a Sara! – era Carol.
       - Acho melhor você voltar mais tarde. – Samuel sorriu. – Ela está com Marcos agora.
       - Que gracinha! O namorado vindo ver a namorada no hospital! E ai amor, você viria me visitar no hospital caso acontecesse alguma coisa? – Carol sorri.
       - Pra falar a verdade não. – ela da um soco leve no peito de Samuel, ele da uma gargalhada e a abraça. – Me acompanha?
     - Até onde? – Carol pergunta.
     - Vou em casa tomar um banho, se quiser pode tomar um banho comigo.
      Outro soco.
      - O que foi? Nós fazíamos isso direto quando éramos crianças!
      - Tá bom, engraçadinho! Tá bom, vamos logo! Mas pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque dessa vez não vai rolar!
     - Você disse dessa vez?
     O casal se retira do hospital de mãos dadas. Marcos continua a mostrar os vídeos para Sara, a garota sorri e toca na tela da câmera quando vê os momentos felizes que passara. De uma hora para outra Sara abaixa a cabeça, deixando seus cabelos caírem sobre seu rosto, Marcos notou que ela estava triste, e para animá-la ele pegou a câmera e começou a grava-la, quando ele viu o que estava gravando ele caiu em desespero.

    Da tela da câmera podia-se ver algo inexplicável, o rosto de sara estava completamente deformado e parecia mudar de forma de uma maneira assustadoramente rápida, no lugar de seus olhos apenas uma sombra negra podia ser vista, e a boca da garota estava aberta de uma forma que não seria possível se abrir, como se ela fosse uma serpente prestes a engolir a sua presa.

    Marcos parou a gravação e olhou para Sara paralisado de medo, e notou que ela estava normal e trazia um sorriso no rosto, ele perguntava para si mesmo se aquilo que ele acabara de ver era algum tipo de alucinação?












Bruno D. Vieira

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