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Sara estava sentada na cama, olhando para
o nada. Samuel se aproximou da irmã lentamente. Ela notou a presença do irmão e
o abraçou; por mais que ela se esforçasse para dizer algo, nada além de gemidos
saia de sua garganta. Samuel se segurou, ele não poderia chorar mesmo que
aquilo o assustasse tanto, ele precisava se manter forte, ele deveria dar apoio
a Sara.
Mais tarde os pais da garota chegaram,
momentos de felicidade emundaram o quarto do hospital, reencontrar a filha
depois de tantos meses era realmente algo incrível. O médico pede para que a
família deixe Sara descansar. No corredor o médico fala para a família que
gostaria de manter Sara internada a fim de se certificar que não há mais
problemas. A família concorda. Samuel pede para seus pais e para o médico para
que ele passasse a noite com sua irmã, eles concordam.
Samuel se sentou do lado de Sara, ele
ficou olhando-a enquanto ela dormia tranquilamente. A imagem de sua irmã
dormindo tranquila e em segurança o alegrou; ele acariciou os cabelos da irmã e
sorriu, ficando ali, admirando-a durante horas. Finalmente o sono chegou,
Samuel se dirigiu ao sofá que ficava no canto do quarto. O rapaz deitou no sofá
e seus olhos começaram a ficar pesados, eis que de repente algo o faz acordar novamente,
Samuel poderia jurar que alguém estava ali, do lado de sua irmã.
Samuel esfregou seus olhos e olhou
novamente, não havia nada ali, ele se deitou novamente e continuou olhando para
o lugar onde ele tinha certeza de que tinha visto alguém, quando finalmente
pegou no sono. Um barulho, a porta do quarto se abre, Samuel se levanta
assustado e nota que já era dia. Ele olha na direção da porta e nota quem
estava ali era Marcos.
- Bom dia. – Marcos fala cumprimentando
Samuel. – É realmente incrível ela ter reaparecido, não é?
- Sim, realmente. – Samuel sorri,
cumprimentando-o.
Marcos se aproxima de Sara e a acaricia,
rapidamente Sara abre seus olhos, da um grunhido e pega o braço de marcos,
encarando-o com fúria. Como em um piscar de olhos Sara cai em desespero e
começa a gritar histericamente, as janelas e as lâmpadas do quarto começam a
tremer, e todas se quebram, fazendo com que seus estilhaços se espalhem pelo
chão.
- Saia daqui! Rápido! – Samuel grita para
Marcos. – Chame uma enfermeira!
- Me ajude! Me ajude! – Sara começou a
gritar. – Por favor! Por favor, alguém me ajude! – Sara respira fundo fazendo
um grunhido e cai na cama, inconsciente.
- O que está acontecendo aqui!? – a
enfermeira falou ao entrar no quarto e ver toda aquela bagunça.
Sara foi levada a outro quarto, a cena do
desespero da irmã e dos vidros se quebrando se repetia a todo momento na mente
de Samuel, como aquilo poderia ocorrer? Como tudo aquilo era possível? Ele
seguiu em direção ao banheiro, abriu a torneira, deixou que uma quantidade de
água se juntasse em sua mão e lançou o liquido frio no rosto a fim de relaxar
um pouco. Tudo o que acabara de ocorrer deveria ter algum tipo de explicação
plausível, vidros não estouram do nada.
“Me ajude...”
Samuel ouviu alguém sussurrando. Ele
ergue a cabeça e vê uma garota de longos cabelos loiros e olhos esverdeados,
ela estava magra e pálida, exprimindo sons assustadores. O espelho refletia a
imagem da moça, ela estava atrás do rapaz, ao se virar para encara-la Samuel
nota que não há ninguém no banheiro além dele.
Ele se dirige de volta, rumo ao novo
quarto onde Sara estaria descansando, quando vê algo que o faz ficar
paralisado; Sara ao lado de Marcos, sorrindo, como se nada tivesse acontecido.
Nas mãos do rapaz encontrava-se uma câmera filmadora, câmera esta que Samuel
conhecia muito bem. Filmar era o hobby de Sara, ela adorava fazer seus vídeos;
Samuel percebeu o que Marcos estava tentando fazer ao mostrar alguns dos vídeos
que a garota fez.
Samuel sorri, Marcos nota sua presença,
movimentando lentamente a boca Samuel pergunta a Marcos, sem emitir nenhum som,
se ele poderia ficar com Sara por algumas horas até ele ir para casa e tomar um
banho; Marcos pareceu entender a mensagem e acenou com a cabeça dizendo sim.
Samuel seguia em direção à saída quando alguém segurou o seu braço.
- Já está indo embora? Logo agora que eu
vim ver a Sara! – era Carol.
- Acho melhor você voltar mais tarde. –
Samuel sorriu. – Ela está com Marcos agora.
- Que gracinha! O namorado vindo ver a
namorada no hospital! E ai amor, você viria me visitar no hospital caso
acontecesse alguma coisa? – Carol sorri.
- Pra falar a verdade não. – ela da um
soco leve no peito de Samuel, ele da uma gargalhada e a abraça. – Me acompanha?
- Até onde? – Carol pergunta.
- Vou em casa tomar um banho, se quiser
pode tomar um banho comigo.
Outro soco.
- O que foi? Nós fazíamos isso direto
quando éramos crianças!
- Tá bom, engraçadinho! Tá bom, vamos
logo! Mas pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque dessa vez não vai
rolar!
- Você disse dessa vez?
O casal se retira do hospital de mãos
dadas. Marcos continua a mostrar os vídeos para Sara, a garota sorri e toca na
tela da câmera quando vê os momentos felizes que passara. De uma hora para
outra Sara abaixa a cabeça, deixando seus cabelos caírem sobre seu rosto,
Marcos notou que ela estava triste, e para animá-la ele pegou a câmera e
começou a grava-la, quando ele viu o que estava gravando ele caiu em desespero.
Da tela da câmera podia-se ver algo
inexplicável, o rosto de sara estava completamente deformado e parecia mudar de
forma de uma maneira assustadoramente rápida, no lugar de seus olhos apenas uma
sombra negra podia ser vista, e a boca da garota estava aberta de uma forma que
não seria possível se abrir, como se ela fosse uma serpente prestes a engolir a
sua presa.
Marcos parou a gravação e olhou para Sara
paralisado de medo, e notou que ela estava normal e trazia um sorriso no rosto,
ele perguntava para si mesmo se aquilo que ele acabara de ver era algum tipo de
alucinação?
Bruno D. Vieira

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