Não costumo discutir assuntos que não tenho algum domínio. E o direito é
um desses assuntos, por isso quero apenas externar minha opinião de leigo e
saber a posição dos amigos além de claro, caso haja um especialista no assunto,
expor um parecer técnico.
Venho acompanhando atentamente o desenrolar da discussão sobre a
distribuição dos royalties do petróleo e o pé de guerra entre os estados
produtores (Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo) e os demais estados da
federação. Depois de longa batalha, o Senado alterou a lei de divisão desses
recursos, beneficiando assim os estados não produtores. Os três estados
separadamente entraram com recurso no STF alegando a inconstitucionalidade na
decisão.
Há uns dois meses, ouvi no Jornal da CBN, que a ministra Carmem Lúcia do
STF concedeu uma liminar cancelando o novo modelo de partilha igualitária entre
todos os estados, em benefício aos estados produtores. Até que o
recurso seja julgado no plenário do Supremo Tribunal Federal, vale a regra
antiga em que os três estados possuem uma parte maior na receita. E justamente
ai que me chamou atenção um assunto que há tempos me incomoda. O STF. Não estou discutindo quem tem razão nesse debate, não é esse o foco
proposto. Mas a Ministra Carmem Lúcia sozinha, contrariou a decisão de todo o
legislativo do país. E no final, essa e todas as decisões mais importantes da
nação são tomadas por onze senhores. Onze brasileiros cujas togas lhe dão
poderes praticamente irrestritos. Uma espécie de capa mágica dos desenhos animados.
Sempre vemos investigações, nos poderes executivos e legislativos. São
ministros, secretários, deputados, senadores, governadores, prefeitos e até
presidentes que (raramente, claro) acabam perdendo seus cargos, punidos por
cometer irregularidades. E estes, questionados ou não, foram eleitos pelos
cidadãos e cidadãs brasileiros para ocuparem tais postos. E no judiciário? Mais
parece um oráculo, acima do bem e do mal, onde nada pode questioná-lo. Ninguém
ousa desafiar a liga da justiça de Brasília. E estamos falando de um grupo que
não é eleito; que a maioria dos brasileiros sequer sabe quem são e de onde
vieram. Evidente que se trata de um órgão muito peculiar, onde a missão é
garantir o cumprimento da constituição. Sem isso não teríamos estabilidade
política e consequentemente, a democracia. Democracia esta que tem como um dos
pilares, a autonomia deste Judiciário. Contudo, o cerne da questão ainda é: Não
é muito poder nas mãos de onze seres humanos, passivos de erros, emoções e
influências? Ainda mais em um país com 193 milhões de habitantes. Que o
STF é fundamental para o funcionamento das instituições, isso é inquestionável.
Repito que não sou jurista e escrevo esse texto mais como uma dúvida do que
como uma crítica. Indagar se essa estrutura realmente é a mais eficiente.
Talvez pela especificidade da função, realmente deve-se limitar as decisões a
um grupo seletíssimo, que detenha um profundo conhecimento das leis do país.
Mas não é paradoxo, que uma justiça que convoca júris populares compostos pessoas
‘comuns’ como eu, você, sua mãe, seu médico e o cara que faz a medição da conta
de luz, sem nenhum conhecimento jurídico para decidir sobre uma sentença que
irá definir o futuro de um cidadão, exclua a participação popular quando se
refere a assuntos de interesses nacionais?
Não é a primeira vez que toco nesse assunto. Certa feita, como replica,
ouvi: “Qual o número da sua OAB?” Em uma referência a minha ignorância
jurídica. Realmente não tenho OAB. Nunca sequer pisei em uma faculdade de
direito. Mas tenho RG, CPF, Título de eleitor, o que me torna um cidadão
brasileiro. Que tem o direito constitucional (Isso pelo menos eu sei) de me
expressar, mesmo sem uma base acadêmica, contra um dos poderes que sustenta a
República que faço parte e que é mantido por mim na condição de contribuinte.
Da mesma maneira que criticamos tão veemente o poder Executivo e o Legislativo.

Rapaiz, sério mesmo que alguém te fez essa pergunta esdrúxula de “Qual o número da sua OAB?"? haauhuahua Se vê cada coisa...
ResponderExcluirA constituição é o sustentáculo do estado democrático de direito e a CF já começa especificando que "todo poder emana do povo..."
Sim, o STF está com poder em acesso e, como a população já perdeu a noção da representatividade da política, colocando no patamar de comercialização, o STF ganha mais poder ainda quando começa a trabalhar de forma espetacular. Por exemplo, o JN mesmo adora colocar algo so STF pelo menos uma vez por dia no programa; gosta também entrevistar Joaquim barbosa como se ele fosse a voz suprema da sabedoria da justiça do mundo.
Sim, temos um grande problema com a judicialização da política.