quinta-feira, 25 de julho de 2013

AS ERVILHAS

No último dia 20 de julho completei mais um ano de vida. Comemorar aniversário perdeu um pouco a graça depois que passei dos 30, mas sempre é um dia atípico, e não posso negar que é bacana receber telefonemas, e-mails e os mais diversos tipos de mensagens de pessoas queridas. Com o advento das redes sociais, o número de mensagens de parabéns aumentou consideravelmente, até porque sua foto fica o dia todo em evidência no perfil dos amigos. É até uma situação já prevista, principalmente para pessoas que possuem um circulo social abrangente.

No meu caso, por fazer aniversário no dia do amigo, pude ser homenageado em dose dupla. E as vastas saudações do dia do amigo, me pôs a pensar um pouco no conceito de amizade. O termo amigo perdeu um pouco o sentido nos últimos tempos, banalizou-se. Se alguns amores já duram menos que a bateria do meu celular, quem dirá algumas amizades. Quem são nossos amigos? Amizade é algo tão fantástico que acaba sendo impossível descrever. Não existe um critério para qualificar amigos, até porque não se trata de uma qualificação. Amigos simplesmente são. Indivíduos que de alguma forma cativam-nos e se tornam não só importantes, mas fundamentais em nossas vidas. A controvérsia ocorre exatamente por essa vulgarização da amizade. Vamos usar como exemplo o amor, o amor entre um casal mesmo. É muito clara de modo geral a separação de amor por desejo, como já diria Rita Lee, “amor é isso, sexo é aquilo e coisa e tal”. Quando se trata de amizade a linha de separação inexiste. É preciso apartar os amigos daquelas pessoas agradáveis, que nos fazem rir, enfim que nos divertem. Elas também são muito importantes, mas não são amigas. Estarão em nossas vidas por um momento limitado. Talvez daqui a dez anos, quando casualmente a encontrá-la na estação de trem, sequer será possível estabelecer uma conversa de cinco minutos.



Eu disse isso uma vez, e algumas pessoas ficaram ofendidas, mas é o que eu penso: 90% (ou mais) das pessoas do nosso círculo social são como ervilhas em uma torta. É legal, dá um sabor a mais e é importante que tenha. Contudo se não tiver, no início até notamos a diferença, mas no final, não fará a menor falta. Parece demasiadamente rude encarar dessa forma? Convido então vocês a ouvirem uma canção do Oswaldo Montenegro chamada “A lista” (Deixarei o link da canção n final do texto).

“Faça uma lista de seus grandes amigos, quem você mais via há dez anos atrás. Quantos você ainda vê todo dia?
Quantos você já não encontra mais?”

Muitas pessoas passam por nossas vidas, mas só algumas ficam. Contudo outras marcam nossas vidas de forma indelével que mesmo que a vida as tire de perto de nós, essas marcas jamais permitiram que elas saiam de nossos corações. Esses ai são as que eu chamo de amigos. Quem vai te aceitar com todos os seus defeitos, dividir momentos ruins, mas principalmente os bons, ao contrario do que muitos dizem. Em momentos ruins, é comum as pessoas se sensibilizarem, mas no sucesso, pouquíssimos vão realmente ficar feliz por você. Obvio encontrar quem reúna essas características não é tarefa das mais fáceis, li uma frase uma vez que dizia, que se você tem muitos amigos, ou nenhum inimigo, algo está errado com você. E justamente pela raridade se torna tão especial. Não podia terminar sem agradecer a todos meus amigos que fazem minha vida se tornar muito mais fácil de ser encarada.





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